Sobre esse assunto registamos algumas notas.
Nós entramos neste processo de forma absolutamente convicta, acreditando que a compra da Confiança (pela autarquia, bem como o projecto que ali pode ser desenvolvido) traduz um momento histórico para a nossa cidade, por dois motivos fundamentais.
Um motivo que é transversal a todo o processo. Ou seja, de forma quase singular, a Câmara esteve pela 1ª vez verdadeiramente empenhada na preservação de um legado patrimonial importantíssimo da nossa cidade e da sua memória industrial.
Em segundo lugar porque, fruto do empenhamento dos autarcas da coligação juntos por Braga, pela primeira vez em muitos anos, a autarquia abriu-se à participação pública. Daí resultou uma demonstração cabal de que há uma vontade enorme dos bracarenses na participação e na construção da sua cidade, através de projectos de elevado interesse para a valorização daquele espaço.
Porque era disso que se tratava. Ou seja, não se trata apenas valorizar o património mas de garantir uma ocupação que sirva o interesse público e a cidade. Essa é a nossa preocupação central, porque já temos suficientes elefantes brancos na nossa cidade. Uma preocupação que foi assegurada pela forma como o processo decorreu.
Quase 5 anos após aquelas declarações, Rio salientou que nos cofres municipais «não há dinheiro» para que seja o município a avançar com a empreitada (pese embora tivesse garantido, em 2012, que Braga não iria adquirir mais um elefante branco).
“Por isso, se os argumentos dos possíveis compradores forem válidos e não conflituarem com os projetos de requalificação que a Câmara tem para aquela área, a venda poderá ser a solução”.
Palavras que foram proferidas pela mesma pessoa que, amiúde, alega que a CMB não pode intervir, mormente quando se depara com investimentos privados. Em terrenos privados. E com dinheiro privado.
O chefe do executivo municipal vincou que as propostas de compra são assumidas por investidores que pretendem concretizar projetos ligados às áreas do comércio e dos serviços.
Resta-nos, pois então, a pergunta que vale um milhão de euros?
Como pretende esta maioria salvaguardar a memória histórica, patrimonial e industrial daquele edifício se os projectos que ali serão concretizados estiverem ligados ao comércio?
Longe vai o tempo em que o actual edil propalava a “criação do Museu da Cidade, bem como espaços museológicos específicos nos domínios etnográfico, teatral e da arte sacra”.
Garantia que também previa o “desenvolvimento de um programa para a recuperação do património edificado para a instalação de valências culturais e sociais de usufruto público”, assegurando-se que “nesta esfera, dar-se-á finalmente sequência ao projecto para a Fábrica Confiança”.
Pelo caminho ficaram, uma vez mais, dezenas de propostas que brotaram do concurso de ideias promovido para a Confiança, algumas das quais definidas como 'inovadoras e de excelência', pelo próprio Ricardo Rio.
Tal como diria Ibsen, se não pode ser o que é, seja com sinceridade o que pode.
Por outras palavras, se não consegue ser um presidente da câmara à altura das suas promessas, limite-se a ser com sinceridade um bom marketeer.
Palavras que foram proferidas pela mesma pessoa que, amiúde, alega que a CMB não pode intervir, mormente quando se depara com investimentos privados. Em terrenos privados. E com dinheiro privado.
O chefe do executivo municipal vincou que as propostas de compra são assumidas por investidores que pretendem concretizar projetos ligados às áreas do comércio e dos serviços.
Resta-nos, pois então, a pergunta que vale um milhão de euros?
Como pretende esta maioria salvaguardar a memória histórica, patrimonial e industrial daquele edifício se os projectos que ali serão concretizados estiverem ligados ao comércio?
Longe vai o tempo em que o actual edil propalava a “criação do Museu da Cidade, bem como espaços museológicos específicos nos domínios etnográfico, teatral e da arte sacra”.
Garantia que também previa o “desenvolvimento de um programa para a recuperação do património edificado para a instalação de valências culturais e sociais de usufruto público”, assegurando-se que “nesta esfera, dar-se-á finalmente sequência ao projecto para a Fábrica Confiança”.
Pelo caminho ficaram, uma vez mais, dezenas de propostas que brotaram do concurso de ideias promovido para a Confiança, algumas das quais definidas como 'inovadoras e de excelência', pelo próprio Ricardo Rio.
Tal como diria Ibsen, se não pode ser o que é, seja com sinceridade o que pode.
Por outras palavras, se não consegue ser um presidente da câmara à altura das suas promessas, limite-se a ser com sinceridade um bom marketeer.