O vereador da CDU, Carlos Almeida, esteve ontem de manhã reunido com a Comissão de Trabalhadores da AGERE. Acompanhado por Raúl Peixoto e Bárbara Barros, eleitos na Assembleia Municipal, o vereador comunista ouviu as preocupações dos representantes dos trabalhadores daquela empresa municipal.
Sobre a nova administração da AGERE, que assumiu funções em 2013 com a nova maioria na Câmara, Carlos Almeida entende que esta “assume contornos, pelo que vamos percebendo, muito autoritários”, referindo-se aos recursos humanos e ao tratamento dos direitos dos trabalhadores. O recandidato da CDU à Câmara Municipal acrescenta ainda que “o peso dos accionistas privados, embora percentualmente minoritários, está a fazer-se sentir mais agora”.
"Insistimos que a AGERE deve voltar para a esfera municipal, para garantir que o serviço público é de facto prestado enquanto tal e em melhores condições para a população, bem como com tarifários mais adequados", afirmou o vereador da CDU na Câmara Municipal. E acrescentou: "tomámos desde sempre este assunto como prioritário nas nossas propostas e na nossa acção, e assim vai continuar".
A falta de renovação das equipas de varredura são outra preocupação, ainda que antiga, que Carlos Almeida fez notar no fim desta reunião. “Sabemos que ainda no final do ano passado foram contratados alguns trabalhadores, no entanto o número de efectivos está longe de ser o suficiente para suprir os que abandonaram a AGERE nos últimos anos”. Na opinião do vereador da CDU, partilhada pelos representantes dos trabalhadores daquela empresa, este desequilíbrio tem-se feito notar na prestação do serviço.
A queixa tem sido recorrente tanto por parte dos cidadãos como de diversas Juntas de Freguesia, cujos acordos de execução – que delegam parte das tarefas de limpeza e manutenção ou, em alguns casos, a varredura também - em quase nenhuma resolveram as deficiências sentidas. Também para os trabalhadores desta secção as consequências se têm feito sentir, já que aumentaram significativamente a área de limpeza de cada um, o que torna a resposta, da sua parte, cada vez mais difícil.
De lado não ficaram os horários dos trabalhadores da AGERE, onde, à semelhança de outras empresas do universo municipal, há trabalhadores a cumprir as 35 horas semanais e outros, com contrato individual de trabalho, a fazerem as 40 horas. A discriminação entre trabalhadores acentua-se, neste caso, por estarem, hoje, em minoria os trabalhadores em funções públicas.
Por fim, os eleitos da CDU e a Comissão de Trabalhadores da AGERE tiveram, ainda, oportunidade para trocar ideias e preocupações sobre o contrato de gestão delegada da empresa, cuja versão final ainda não é conhecida por nenhuma das partes. No entanto, o parecer da ERSAR relativamente à matéria vai ao encontro das críticas que a CDU apontou à primeira versão do contrato, apresentada em reunião de Câmara em 2014 e entretanto retirada para nova redacção.