quinta-feira, 25 de maio de 2017

Sete Fontes: Seis anos depois da classificação, que futuro?

A propósito do sexto aniversário da classificação do Complexo das Sete Fontes como Monumento Nacional, a CDU vem manifestar a sua preocupação quanto ao futuro deste importante património público.

Depois de uma longa e árdua luta em sua defesa, que mobilizou milhares de cidadãos da cidade de Braga, o Complexo das Sete Fontes foi, finalmente, classificado como Monumento Nacional em 25 de Maio de 2011. Após a sua classificação, como forma de evitar mais danos ao monumento e sua envolvente, a CDU recomendou à Assembleia Municipal de Braga, ainda no anterior mandato, a suspensão do PDM de 2001 e a aplicação de medidas preventivas. A proposta, apesar de aprovada por unanimidade, só veio a concretizar-se no actual mandato, com a nova correlação de forças e já com a presença da CDU no executivo municipal.

Foi, depois disto, aprovada com o apoio da CDU a suspensão do espaço canal da variante à EN 103, a partir da rotunda de acesso ao Hospital de Braga, evitando assim o tráfego de atravessamento no espaço e dando mais um passo no sentido de cuidar, valorizar e salvaguardar as Sete Fontes.

No entanto, o passo mais desejado, o de elaboração do Plano de Pormenor de Salvaguarda para o Monumento Nacional das Sete Fontes, não foi ainda dado. Aliás, com a revisão do PDM concluída em 2015, que poderia ter resolvido as más decisões do passado relativas àquele espaço – em especial a capacidade construtiva que o anterior PDM conferiu àqueles terrenos -, optou-se por manter a possibilidade de construção, inclusivamente em algumas áreas da Zona Especial de Protecção definida para o monumento.

A actual maioria PSD/CDS, para além de umas pinceladas nas mães de água, pouco ou nada fez para valorizar o monumento das Sete Fontes. Nada mais avançou para concretizar o objectivo de salvaguardar e aproveitar aquele espaço como uma zona patrimonial de excelência e um espaço verde como poucos. Dessa forma, a coligação PSD/CDS gorou as expectativas daqueles que lutaram e continuam a lutar para garantir a dignidade e o usufruto público do Complexo Monumental das Sete Fontes.

Incompreensivelmente, continuamos a aguardar os resultados dos estudos arqueológico e hidrogeológico, não se conhecendo assim, para já, o real valor do património, que ultrapassa largamente o edificado existente, limitando a intervenção de defesa do património ambiental: a água, a fauna e a flora.

Aguardamos, por isso, com expectativa que, perto do final de um mandato em que muito se prometeu e pouco se cumpriu, se coloque finalmente as Sete Fontes ao serviço da população enquanto parque verde da cidade, que tantos reclamam, como forma não só de o incluir na vida da colectiva como de valorizar a sua história.