Como sabem, sou mandatário da candidatura da CDU e de Carlos
Almeida à presidência da Câmara Municipal de Braga. Não foi uma decisão leve.
Não costumo envolver-me na política partidária e muito menos nos momentos mais
solenes da sua afirmação, como é o caso de eleições. No entanto, achei que no
momento histórico que atravessamos era meu dever cidadão tomar posição pública.
Quando forças partidárias que sempre se desentenderam põem as suas divergências
de lado e assumem um pacto de salvação para afastarem do Governo a maioria de
direita que devastou a classe média, expulsou do país inúmeros portugueses e
lançou para a mais hedionda pobreza outros tantos, construindo um programa de
recuperação económica e de restituição da dignidade às pessoas, acho que
ninguém fica com o direito à indiferença. Ora a maioria PSD/CDS, encabeçada por
Ricardo Rio, que governa a Câmara Municipal de Braga, é espelho, à escala local,
do que foi essa maioria que achincalhou os portugueses durante demasiado tempo,
como o prova a sua teimosia em manter parte dos funcionários municipais no
horário laboral das 40h semanais. Mas ainda se essa herança pudesse ser
obliterada com trabalho feito em prol dos bracarenses e da cidade… No entanto,
ao fim de 4 anos à frente dos destinos do Município, a maioria de Ricardo Rio
não tem nada para mostrar, não há obra feita, como amplamente o demonstra a
profusão de cartazes em que, acreditando na memória curta dos bracarenses,
reivindica o seu legado destes 4 anos: o que neles consta é praticamente tudo
obra do seu antecessor na presidência da Câmara, Mesquita Machado. Desde as
festarolas, como a Noite Branca ou a Braga Romana, até à cultura, como o
Theatro Circo ou o Gnration. Coisas de raiz, verdadeiramente suas, nada! O balcão
único? Sim, é verdade que é uma genuína novidade da governação de Ricardo Rio…
Mas nunca os bracarenses tiveram de esperar tanto pelo mais insignificante acto
burocrático, havendo casos em que o tempo de espera para a obtenção de uma
licença triplicou em relação ao que era expectável durante o consulado de
Mesquita Machado. Mas isso não vem nos cartazes. Tal como não vem a lentidão
com que são reparados os buracos na via pública – nunca a cidade esteve tão
esburacada como nestes últimos anos – ou são mantidos os jardins. Tal como não
aparece o desmantelamento da icónica estátua de D. João Peculiar do Largo de S.
Paulo, que com o seu másculo bastão expunha o valioso contributo bracarense no
concebimento de Portugal. Ou os licenciamentos controversos de 2 hipermercados
Sonae – que deviam, aliás, ser objecto de averiguações por parte do Ministério
Público, tão obscuros são os seus meandros – em pleno centro da cidade. Ou o servilismo
aos interesses da Igreja em desfavor do bem público, patente nomeadamente no
episódio da colocação da pavorosa estatuária de propaganda de Frei Bartolomeu
dos Mártires a substituir a de D. João Peculiar ou no folhetim da destruição do
Cinema São Geraldo. Para não falar das bandeiras com que foi eleita há 4 anos e
que, entretanto, desapareceram: o Parque das Sete Fontes, o Convento das
Convertidas, a Fábrica Confiança… Que foi feito por elas? Nada. Ora a única voz
que se ouviu, durante estes 4 anos, nos órgãos do Município, a chamar a atenção
da opinião pública para os desvarios desta maioria de Ricardo Rio, que teve uma
postura de permanente atenção e intervenção construtiva para defesa dos
interesses da cidade e dos bracarenses, foi a de Carlos Almeida. Os eleitos do
Partido Socialista nem deixaram rasto, tão discreta foi a sua passagem pelos
órgãos municipais, quando não mesmo de apoio a Ricardo Rio. Não é de admirar!
Depois da saída de Mesquita Machado e de perdida a sua autoridade, o Partido
Socialista local transformou-se num ninho de víboras, com os barões e os
diversos caciques da concelhia e da distrital em permanente guerrilha interna,
a tentar obter posição dominante. Só assim se explica a demência de apresentar
Miguel Corais como candidato… Quem tenha visto algum dos debates televisivos
com os candidatos sabe do que estou a falar! Assim, para quê votar no Partido
Socialista? Um mau resultado eleitoral do Partido Socialista é mesmo um favor à
sua saúde, a ver se o partido se limpa dos podres que o corroem localmente… E
assim voltamos a Carlos Almeida e à candidatura da CDU. Se Carlos Almeida, pelo
que fez durante o anterior mandato, me inspira plena confiança e me dá garantia
de que os interesses da cidade e dos bracarenses têm um defensor aguerrido e
atento, é no entanto necessário tornar essa defesa mais eficaz. E isso só é
possível retirando a maioria absoluta à coligação de direita encabeçada por
Ricardo Rio. É aqui que eu apelo ao voto útil na CDU. A possibilidade real de
eleger mais do que um candidato da lista da CDU viabiliza essa perda de maioria
absoluta e garante que os eleitos não sejam apenas corpo presente ou mesmo
apoiantes das políticas desastradas de Ricardo Rio. É essa a verdadeira
mudança!
Adolfo Luxúria Canibal