quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Intervenção da eleita Bárbara Barros na Assembleia Municipal de Braga sobre alteração de estatutos da BRAVAL

Por imposição legal, as administrações das empresas municipais tiveram que cumprir a lei da paridade, que criou alguns desconfortos no município. O caso mais flagrante, apesar do afastamento do Engº Baptista da Costa – sempre tido como o grande especialista da mobilidade, mas que acaba corrido da TUB - é o da administração da AGERE: empresa com 51% de capital social detido pela CMB que, embora tenha passado um mandato inteiro a elogiar o trabalho e o contributo do seu administrador executivo abdicou dele na negociação com os privados, que embora tenham menos peso na participação da empresa e devessem, por isso, ter menos peso nas decisões de administração da mesma (embora RR enquanto vereador da oposição quisesse ir mais longe na privatização, como é sabido), tiveram a última palavra no que respeita à escolha do seu administrador executivo, deixando a Câmara sem alternativa, provando, uma vez mais, que quem manda na AGERE é o consórcio privado.


Para resolver o problema, a maioria encontrou solução na presidência do conselho de administração da AGERE, substituindo o Presidente da Câmara pelo ainda administrador executivo da AGERE.

No entanto, a solução encontrada tinha um problema, uma vez que a presidência do Conselho de Administração da AGERE não é remunerada. E como está bom de ver, o Dr. Rui Morais, apesar do ”amor à camisola”, não está ainda rendido ao regime de voluntariado.

Assim, tornou-se necessário um plano B. Desta feita, à boleia da “já prevista” alteração estatutária na Braval – sobre a qual também se estranha a demora, uma vez que passou todo um mandato sem que visse a luz do dia – resolvem-se dois problemas de uma só vez. Arruma-se com os poderes do director-geral da empresa, resquícios de decisões passadas de Mesquita Machado, e, em simultâneo, cria-se a figura de administrador executivo, que serve que nem uma luva a pretensão de pagar os cuidados serviços do Dr. Rui Morais na AGERE.

Se afinal o gestor público da AGERE era tão bom, porque não insistiu a CMB, fazendo uso do seu poder maioritário naquela empresa municipal, para que continuasse como administrador? Se os bons resultados da empresa se devem a esta escolha, porquê dar tantas voltas para manter um administrador com responsabilidades numa empresa (AGERE), mas a ser pago por outra (BRAVAL)?

Há quem diga que nem sempre o que parece é, e há claramente quem se aproveite dessa máxima para tentar atirar areia para os olhos de quem os mantém bem abertos. Mas o que aconteceu aqui foi fingir que o que parece não é, e que quem expõe o descaramento é quem sofre de uma qualquer patologia crónica, quando nos limitámos a destapar o véu e mostrar que os “boys will be boys”.


O Grupo Municipal da CDU

Braga, 29 de Dezembro de 2017