Por imposição legal, as administrações
das empresas municipais tiveram que cumprir a lei da paridade, que criou alguns
desconfortos no município. O caso mais flagrante, apesar do afastamento do Engº
Baptista da Costa – sempre tido como o grande especialista da mobilidade, mas
que acaba corrido da TUB - é o da administração da AGERE: empresa com 51% de
capital social detido pela CMB que, embora tenha passado um mandato inteiro a
elogiar o trabalho e o contributo do seu administrador executivo abdicou dele
na negociação com os privados, que embora tenham menos peso na participação da
empresa e devessem, por isso, ter menos peso nas decisões de administração da
mesma (embora RR enquanto vereador da oposição quisesse ir mais longe na
privatização, como é sabido), tiveram a última palavra no que respeita à
escolha do seu administrador executivo, deixando a Câmara sem alternativa,
provando, uma vez mais, que quem manda na AGERE é o consórcio privado.
Para resolver o problema, a maioria
encontrou solução na presidência do conselho de administração da AGERE,
substituindo o Presidente da Câmara pelo ainda administrador executivo da
AGERE.
No entanto, a solução encontrada tinha um problema, uma vez que a presidência do Conselho de Administração da AGERE não é remunerada. E como está bom de ver, o Dr. Rui Morais, apesar do ”amor à camisola”, não está ainda rendido ao regime de voluntariado.
Assim, tornou-se necessário um plano
B. Desta feita, à boleia da “já prevista” alteração estatutária na Braval –
sobre a qual também se estranha a demora, uma vez que passou todo um mandato
sem que visse a luz do dia – resolvem-se dois problemas de uma só vez.
Arruma-se com os poderes do director-geral da empresa, resquícios de decisões
passadas de Mesquita Machado, e, em simultâneo, cria-se a figura de
administrador executivo, que serve que nem uma luva a pretensão de pagar os
cuidados serviços do Dr. Rui Morais na AGERE.
Se afinal o gestor público da AGERE era tão bom, porque não insistiu a CMB, fazendo uso do seu poder maioritário naquela empresa municipal, para que continuasse como administrador? Se os bons resultados da empresa se devem a esta escolha, porquê dar tantas voltas para manter um administrador com responsabilidades numa empresa (AGERE), mas a ser pago por outra (BRAVAL)?
Há quem diga que nem sempre o que
parece é, e há claramente quem se aproveite dessa máxima para tentar atirar
areia para os olhos de quem os mantém bem abertos. Mas o que aconteceu aqui foi
fingir que o que parece não é, e que quem expõe o descaramento é quem sofre de
uma qualquer patologia crónica, quando nos limitámos a destapar o véu e mostrar
que os “boys will be boys”.
O
Grupo Municipal da CDU
Braga,
29 de Dezembro de 2017