Muito temos ouvido sobre o acumular de dívidas fruto das derrapagens orçamentais da construção do Estádio Municipal. Embora não seja tema novo, ou que cause especial surpresa, não lhe queremos retirar a importância política que deve ter, já que o acompanhamento e responsabilidade de fiscalização da obra em questão esteve a cargo da Câmara Municipal.
Uma obra que mais do que duplicou o seu custo previsto, para além dos valores que hoje ainda estão a ser contestados judicialmente. Perguntamo-nos como pôde ser possível permitir que, de um projecto em concreto, com um orçamento previsto, se tenha conseguido chegar aos valores com que se chegou ao final da obra.
Bem sabemos que em raros casos se conseguem cumprir com exactidão os orçamentos previstos para determinadas obras, havendo ajustes e alterações que acabam por determinar um valor bastante diferente do previsto. No entanto, neste caso falamos de uma diferença abismal entre o valor inicial e o final.
Como se justificam estes valores? Onde estão justificadas estas derrapagens? Em que consistiram? Que alterações houve ao projecto inicial que determinaram alterações orçamentais? Que materiais tiveram que ser encomendados em dobro, ou em triplo, para justificar a diferença entre montantes?
Ora, os contratos adicionais que foram sendo feitos durante a obra deverão ter sido apreciados e do conhecimento do executivo municipal da altura, o que significaria que a Câmara Municipal estaria a par de todas as alterações que foram sendo feitas e que resultaram nesta diferença abismal entre o valor inicial e o final da obra.
Não podemos deixar de exigir que se apurem responsabilidades políticas a quem as tem em todo este processo. De nada adianta fazer-se propaganda política com as dívidas que o município tem em mãos. Importa, sim, perceber quem de facto deve responder por estas derrapagens e pelas consequências com que hoje temos todos que lidar.
De pouco adianta, por exemplo, que o Presidente da Câmara hoje venha criticar a opção de se construir um estádio novo em Braga em vez de requalificar o Estádio 1.º de Maio, quando o PSD votou favoravelmente, na altura, a construção do novo Estádio Municipal!
O mesmo dizemos relativamente às “facturas” que a JSD anda a distribuir pela cidade em nome do PS. Talvez fosse mais rigoroso serem passadas também ao PSD, que esteve de acordo com o projecto aprovado para este empreendimento.
Bem sabemos que, hoje, ninguém quer assumir a vergonha destas contas. Mas também sabemos que, a bem do rigor e da transparência, todos os responsáveis terão que ser responsabilizados.
Braga, 04 de Outubro de 2018