segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

"Para a CDU, continua a ser claro que a Confiança não se vende"

Carlos Almeida na reunião do executivo municipal 


A CDU votou contra a alienação da Fábrica Confiança e o novo caderno de encargos hoje apresentado hoje em reunião do executivo municipal. Carlos Almeida, vereador da CDU, sublinhou a rejeição da venda da Confiança a privados.

Embora tenha levantado algumas dúvidas em relação ao caderno de encargos que hoje foi apresentado, nomeadamente quanto às garantias nele plasmadas se manterem, ou não, caso o privado decida revender o edifício no futuro, Carlos Almeida fez questão de centrar o debate em torno da decisão da venda da Confiança. 

Para a CDU, "não restam dúvidas que a alienação da Fábrica Confiança é um erro, é alienar património único da cidade, de todos nós", referiu o vereador comunista. "Ainda que esta maioria tenha tentado dar uma nova roupagem a esta venda nos últimos meses, com este novo caderno de encargos, a verdade é que estamos perante o mesmo risco de uso e salvaguarda do imóvel", acrescentou.

"Sobre este novo caderno de encargos, não deixa de ser curioso que ele tenha, afinal, incluído uma salvaguarda maior do que a inicialmente previa o primeiro, que pouco mais longe ia do que a conservação da fachada original da Fábrica", atirou Carlos Almeida, contrariando os argumentos que, na altura da votação do primeiro caderno, foram apresentados em sua defesa.

A CDU criticou ainda a nova construção prevista no PIP hoje apresentado, que acrescentam um volume de sete pisos a ser construído no logradouro da Fábrica, o que "vem acrescentar um problema numa zona onde já existem graves falhas urbanísticas".

Sobre o uso proposto no caderno de encargos para o edifício da Confiança - a construção de uma residência privada para estudantes, o vereador Carlos Almeida rejeita a ideia de que este projecto venha resolver o problema de falta de camas para estudantes da Universidade do Minho. "Um estudante comum não vai pagar o que vão pedir com este projecto privado", garantiu o vereador, acrescentando que "se alguém neste executivo acredita nisto, significa que não percebe nada da realidade".

Para a CDU, apenas soluções de ofertas públicas de camas estariam à altura do problema que se faz sentir em Braga, acusando também o município de, até hoje, não ter feito "a sua parte, de poder ajudar o Governo a encontrar edifícios para poder utilizar como residências universitárias, por exemplo". Carlos Almeida lembrou ainda que foram já vários os projectos apresentados ao longo dos últimos tempos para licenciamento do mesmo tipo de residências privadas, pelo que "apressar a venda da Confiança para este fim é um alarido que Ricardo Rio encontrou para pressionar esta alienação".