A candidatura da CDU aos órgãos municipais de Braga reuniu
ontem com a Velha-a-Branca, que apresentou uma proposta de dinamização e
salvaguarda do edifício da antiga fábrica Confiança.
O edifício da Confiança foi adquirido pela Câmara Municipal
de Braga em 2011, com o propósito de valorizar o património da cidade,
preservando o único edifício industrial de grande porte e carácter do início do
século XX ainda existente na cidade. Ainda que a intenção fosse de o converter
numa valência cultural, desde aquela data nenhuma intervenção foi realizada no
edifício.
No encontro, foram recordadas as declarações de Firmino
Marques, actualmente vice-presidente do município, que enquanto presidente da
Junta de Freguesia entendia que a Confiança seria um equipamento fundamental
para a afirmação das indústrias criativas.
A CDU, representada na reunião por Carlos Almeida e Jorge
Amado, primeiro e segundo candidatos à Câmara, e ainda por Carla Cruz, cabeça
de lista à Assembleia Municipal de Braga e deputada do PCP na Assembleia da
República, destacou que o património municipal não pode ser tratado desta
maneira, acusando Ricardo Rio de negligência no processo de degradação
acelerada do imóvel.
A candidatura da CDU recordou o posicionamento que sempre
teve relativamente à Fábrica Confiança e ao seu destino, tendo inclusivamente
não só acompanhado de perto o concurso de ideias que a actual maioria municipal
promoveu no início do seu mandato, como apresentado uma proposta no sentido de
aproveitar o edifício para lá instalar um museu da cidade e várias valências
culturais.
Carlos Almeida lembrou que “a compra da Confiança mereceu um
consenso muito alargado das diferentes forças vivas da cidade e que tal facto
motivou, aliás, um processo de participação muito interessante”. “Ora, hoje,
quando Ricardo Rio aponta à alienação do imóvel está claramente a quebrar esse
consenso alargado, bem como um compromisso com a cultura e os seus agentes”,
acrescentou.
Na reunião, em que a
Velha-a-Branca avança com a possibilidade de dinamizar o espaço,
apresentando-se como um proposta independente dos fundos municipais,
alternativa e credível, a CDU acolheu com simpatia essa possibilidade,
afirmando que é um caminho que deve ser estudado e equacionado, porquanto não
requer de imediato a mobilização de recursos públicos e pode por termo à
degradação acentuada daquele património.