quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Declaração Política da eleita Bábara Barros na Assembleia Muncipal de Braga



O início de novos ciclos traz, por norma, algum sentido de oportunidade, esperança e vontade de alterar o que, no passado, no que fica para trás, não se cumpriu, não se conseguiu ou não se tratou.
Este novo ciclo que iniciamos nesta Assembleia Municipal, que decorre das eleições autárquicas de 01 de Outubro passado, poderá servir vários propósitos e ambições. No entanto, numa breve avaliação que aqui faremos, facilmente nos apercebemos que, do ponto de vista da realidade do município, pouco se altera.
Entre hoje e ontem, ou seja, entre o início deste mandato e o que deixámos na fase anterior às eleições autárquicas, pouco ou nada se altera, o que não augurará grandes mudanças para os próximos tempos, que estamos a inaugurar.

A política de tarifas municipais, por exemplo, continua a necessitar de uma revisão global, que vá ao encontro do carácter público, universal e de qualidade na prestação dos seviços das empresas municipais, com preços mais acessíveis para os bracarenses, que pagam taxas especialmente altas de saneamento e água.
Para 2018, está anunciada nova descida nas taxas da AGERE, caminho que vemos com agrado, e que comprova, aliás, que tínhamos razão quando dizíamos, tantas vezes, que havia margem para diminuir estas taxas.
No entanto, tendo em conta a ligeira descida que ocorreu em 2017, depois de um aumento em 2013 e de se ter mantido até ao ano passado, continuando, mesmo após essa primeira alteração, com um valor mais alto do que antes da subida de taxas em 2013, a previsão para o novo ajuste em 2018 será, decerto, insuficiente para as necessidades que referíamos.
A Fábrica Confiança continua exactamente no mesmo pé não só do que há quatro anos, como desde que foi adquirida pela Câmara Municipal. Aliás, as únicas alterações relativamente a este edifício são, infeliz e exclusivamente, a degradação e abandono a que tem estado sujeito.
Temos vindo a dizer que o património municipal não pode ser tratado desta maneira, e não nos escusamos a apontar responsabilidades à maioria neste executivo municipal, pela negligência que demonstrou e demonstra no processo de degradação acelerada do imóvel.
Mais, a aquisição deste edifício mereceu - valores do negócio à parte - um consenso muito alargado entre as diferentes forças vivas da cidade e que motivou, até, um processo de participação nas propostas de solução para aquele espaço, nomeadamente através do concurso de ideias que foi realizado, muito interessante, e que hoje cai por terra quando o Presidente da Câmara, outrora grande entusiasta desta “causa”, aponta à alienação do imóvel.
Esta postura não poder merecer-nos outra atitude que não uma forte crítica às opções que foram sendo – e às que não foram sendo – tomadas relativamente à Fábrica Confiança, que quebram inclusivamente o tal consenso de que falávamos, bem como o compromisso assumido com a cultura em Braga e os seus agentes.
A requalificação da Rua Nova de Santa Cruz, que prometia resolver os principais constrangimentos de trânsito que ali ocorrem, valorizando a utilização dos transportes públicos e dos meios suaves de transporte, está longe de concretizar qualquer alteração para melhor.
Tal como a CDU previu e preveniu, ainda as obras nesta rua decorriam, o transporte individual apoderou-se dos espaços destinados às paragens de autocarro e à via ciclável, mantendo-se o estacionamento nos dois lados da via em praticamente toda a sua extensão.
A segregação da via ciclável, vista desde início com muita desconfiança, comprova as suspeitas de que nada mais foi feito para que esta sirva o seu propósito, já que a requalificação não teve em conta volumes e velocidades de tráfego automóvel que justificassem esta segregação, para além de não existir, comprovadamente, espaço físico para a mesma.
O projecto de manter, entre a rotunda da Universidade do Minho e a Fábrica Confiança na mesma quota não se concretizou. Existe agora uma via para circulação automóvel mais estreita do que antes, e onde se concretizou a mesma quota entre faixa de rodagem e passeios, o estacionamento abusivo e a interrupção deste tipo de via do lado da mais próximo da Universidade do Minho não permitem o cruzamento de transportes públicos, tal como tínhamos também alertado.
Ou seja, os problemas de estacionamento abusivo nesta rua e os problemas de constrangimento do trânsito mantêm-se praticamente iguais aos que existiam antes desta requalificação; a circulação de peões, por força do referido apoderamento por parte dos automóveis, fica muitas vezes também constrangida; a maior alteração que esta requalificação trouxe foi mesmo diminuir o volume de transportes públicos que passam naquela rua, objectivo absolutamente contrário ao que esta Câmara Municipal se havia proposto.
Também no que diz respeito ao trabalho e aos trabalhadores do município, e à sua justa e devida valorização, não podemos hoje dizer que há diferenças relativamente ao mandato anterior – ou que, na realidade, as haverá.
É verdade que ouvimos – com atenção – as declarações do Sr. Presidente da Câmara a propósito da aplicação das 35 horas até Janeiro de 2021 – coincidentemente, novo ano eleitoral. No entanto, não esquecemos qual foi a postura, desde que tomou posse esta maioria na Câmara, desde o início do seu mandato anterior, relativamente a esta matéria.
Podemos, até, refrescar a memória aos mais distraídos. Em 2013, com a aplicação das 40 horas aos trabalhadores da administração pública pela mão do Governo PSD/CDS-PP, a Câmara Municipal aplicou-as aos trabalhadores municipais, sem admitir qualquer tipo de negociação com o STAL - sindicato dos trabalhadores da administração local, regional e das empresas municipais – e sem assinar nenhum ACEP, tornando-se desde 2015 – com a luz verde depois da pronunciação do Tribunal Constitucional acerca da intervenção do Governo nos acordos entre Câmaras e sindicatos, a estes acordos – a única Câmara no concelho e das poucas no país que insistiram na aplicação das 40 horas.
Recordamos ainda que esta maioria rejeitou sempre a reversão para as 35 horas, ora por motivos técnicos de alargamento do atendimento aos bracarenses, ora apregoando que o alargamento do horário de trabalho dos funcionários municipais resultava em melhores serviços prestados (argumento nunca provado e do qual terminantemente discordámos e discordamos), ora assumindo mesmo que não estavam de acordo, política e ideologicamente, com este horário.
Nem mesmo quando o actual Governo devolveu aos trabalhadores em funções públicas as 35 horas - medida que, para a CDU, que defende inclusivamente o alargamento deste horário aos trabalhadores do sector privado foi insuficiente e curta – a Câmara aceitou assinar um despacho que alargasse esse horário a todos os trabalhadores do universo municipal, mantendo uma assimetria e uma discriminação incompreensíveis.
Não foi sem algum espanto que ouvimos as tais declarações do Sr. Presidente da Câmara na sua tomada de posse; mas não criamos ilusões quanto a elas, porquanto representam um oportunismo político brutal e a prova mais cabal da teimosia política de que o acusámos tantas e tantas vezes. A concretizar-se – e continuamos sem saber exactamente quando e de que forma – a aplicação das 35 horas a todos os trabalhadores municipais, o que fica claro como a água é que ela nasce de uma enorme manobra política, de um volte face muito rasteiro, e que significa mais para esta maioria uma prova de quem manda do que a aplicação de uma justiça elementar.
Para terminar, não podíamos deixar de referir o desleixo, sobre o qual várias vezes chamámos a atenção também, que esta maioria herdou da governação do PS quanto à protecção civil. Foram tantas as vezes que perdemos a conta às chamadas de atenção, por exemplo, à falta de investimento nesta área por parte da Câmara nos seus orçamentos.
O acidente grave a que assistimos no mês passado no concelho de Braga, à semelhança das catástofres a que assistimos também no resto do país – especialmente a que ocorreu em Pedrógão Grande – levantaram várias discussões em torno dos meios para combate e da prevenção de incêndios e da actuação e capacidade de resposta da Autoridade Nacional da Protecção Civil.
Devemos então reflectir que medidas foram sendo tomadas ou, diríamos até, de que forma tem sido esta área encarada pela Câmara Municipal, agente primeiro da Protecção Civil. A falta de investimento, como dissemos, tem sido evidente. Aliás, o último reforço orçamental a que assistimos prendeu-se com o novo quartel dos Bombeiros Sapadores, e não foi além disto.
É necessário investir nos instrumentos próprios que a Câmara Municipal deve utilizar como agente primeiro da Protecção Civil, nomeadamente no levantamento, previsão, avaliação e prevenção dos riscos colectivos; na análise permanente das vulnerabilidades perante situações de risco ou na informação e formação das populações visando a sua sensibilização de autoprotecção e de colaboração com as autoridades.
No ordenamento da floresta, na fiscalização, na criação de faixas de gestão de combustível; tudo medidas de prevenção que obviamente não têm sido acauteladas nem promovidas por este município, à semelhança do que tem acontecido ao longo destes anos todos com os diversos governos do país também.
O reforço da protecção civil não poder ser apenas no que ao combate a incêndios diz respeito, embora também nesta matéria subsistam dificuldades, constrangimentos e insuficiências. Mesmo a valorização da carreira profissional dos bombeiros deve ser tida em conta nesta equação, já que a remuneração dos bombeiros municipais fica muito aquém das responsabilidades que assumem e da exigência da sua profissão.
Não compactuaremos com bandeiras de propaganda acerca do nosso município enquanto medidas estruturais estiverem por concretizar, como não deixaremos de denunciar sempre que esta maioria se esquivar às suas responsabilidades ou tentar iludir os bracarenses com esta com com aquela manobra de diversão, como até aqui temos feito.

O Grupo Municipal da CDU
Braga, 17 de Novembro de 2017