A candidatura da CDU organizou,
na passada sexta-feira, um debate sobre a cultura em Braga. A partir da ideia
de uma possível candidatura de Braga a Capital Europeia da Cultura em 2027, os
candidatos já anunciados à Câmara Municipal e à Assembleia Municipal de Braga,
Carlos Almeida e Carla Cruz e o mandatário da CDU em Braga, Adolfo Luxúria
Canibal, moderaram o encontro na sala de exposições da Biblioteca Lúcio
Craveiro da Silva.
Depois de anunciada a intenção,
pelo presidente da Câmara, de Braga se candidatar a Capital Europeia da Cultura
em 2027, a CDU lançou a debate a cultura no concelho e que oportunidades e
riscos poderá esta candidatura significar. Foram vários os agentes culturais da
cidade que juntaram para debater o estado da cultura no município e trocar
opiniões acerca dos caminhos necessários para melhorar a oferta, a fruição e
criação culturais em Braga.
Foram várias as críticas
apontadas à política cultural do município, tendo os presentes destacado a
falta de orientação e estratégia para a cultura. Também a escassez de espaços e
infraestruturas culturais foram referenciados, não ficando de parte, mais uma
vez, a crítica à falta de visão e de vontade para adquirir o antigo cinema
S.Geraldo e pô-lo ao serviço da cultura.
De entre opiniões diversas acerca
de Braga poder vir a candidatar-se a Capital Europeia da Cultura, e embora
algumas das várias intervenções da noite se tenham mostrado algo cépticas, a
maioria das opiniões foi unânime quanto à ideia de haver condições para,
havendo vontade, Braga poder beneficiar muito com esta possibilidade.
Carlos Almeida, actual vereador
da CDU na Câmara Muncipal, deixou claro que “não estamos aqui para criar
obstáculos a esta ideia, embora tenhamos muitas críticas a apontar ao município
quanto à sua política cultural. Por isso organizámos este debate, estando
certos de que será preciso alargá-lo para que seja possível encontrar soluções
que permitam elevar Braga a um patamar que a cidade há muito reclama”.
Criar mais oferta e, em especial,
mais diversidade na oferta cultural na cidade; valorizar e apoiar o
associativismo, como forma de envolver, por um lado, mais gente na criação
cultural e, por outro, ajudar na formação artística informal das populações no
geral, e das crianças e jovens em particular; abrir canais de comunicação entre
os responsáveis políticos e os agentes culturais da cidade; aumentar o número
de equipamentos culturais, quer para fruição, quer para criação artística e
cultural ou olhar para as várias expressões culturais como um todo, criando uma
estratégia que possa inclui-las a todas numa política cultural consistente a
abrangente, foram algumas das soluções apontadas.
A ideia de exigir, ao mesmo
tempo, reforços orçamentais para a cultura, desde logo através do Orçamento do
Estado, não ficou de fora deste encontro, pela voz de Carla Cruz, deputada do
PCP na Assembleia da República. “Sabemos que muitos dos contributos aqui dados,
e outras soluções que se possam encontrar para a cultura, necessitam de um
investimento sério por parte do município nesta área, mas também de uma maior
dotação orçamental para a cultura em sede de Orçamento do Estado”.
Foi curto o tempo para a troca de
ideias que se deu na passada sexta-feira, pelo que a candidatura da CDU se
comprometeu, desde logo, a levar mais longe esta iniciativa durante os próximos
meses. Carlos Almeida aproveitou, no final, para ler o que o programa da CDU
apresentou como propostas para a cultura há quatro anos, destacando que muitas
das soluções que foram sendo apresentadas coincidiam com o conteúdo
programático da CDU e comprometendo-se, ainda, a “verter esta discussão e todas
as que ainda faltam fazer, no programa que apresentaremos este ano”.