segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Intervenção da eleita Carla Cruz na Assembleia Municipal de Braga sobre mapa de pessoal das escolas



Não são de hoje, nem de ontem, são de há vários anos os alertas da CDU quanto à carência de trabalhadores não docentes nas escolas do concelho de Braga. E esta maioria sabe-o bem.



Ainda recentemente, no passado dia 6 de Novembro, alertámos, uma vez mais, para a essa situação. Aliás, se não tivesse havido esse alerta, provavelmente não estaríamos hoje a discutir esta proposta para contratação de 38 assistentes operacionais e a situação no final deste mês nas escolas seria absolutamente caótica, podendo mesmo levar ao encerramento de alguns estabelecimentos.




Ainda assim, a proposta agora em análise, no fundamental, não resolve a enorme carência de trabalhadores não docentes, na medida em que apenas substituiu os 38 assistentes operacionais cujos contratos de trabalho terminam agora em Novembro e outros no próximo mês. 



Esta proposta não resolve, antes prossegue, a política deste executivo municipal de fomentar e perpetuar a precariedade nos serviços do município. Importa dizer que os contratos que vão ser celebrados com estes trabalhadores, tal como sucedeu com os anteriores, são temporários, terão a duração de 6 meses, não permitindo sequer que assegurem as funções até ao final do corrente ano lectivo. 


Opção que a CDU considera inadmissível! Porém, é bem reveladora do entendimento que o executivo PSD/CDS/PPM tem dos direitos dos trabalhadores e dos serviços públicos. Ou seja, atacar direitos e degradar os serviços públicos e, no caso em apreço a Escola Pública.



O recurso à contratação de trabalhadores com vínculos precários não é solução - em primeiro lugar para o trabalhador, porque não lhe assegura os direitos laborais e a estabilidade necessária; em segundo lugar, porque introduz uma enorme instabilidade no funcionamento na escola, que não é compaginável com o processo ensino/aprendizagem.



O pessoal não docente tem uma função pedagógica que deve ser valorizada, o que não é compatível com a enorme rotatividade que existe nas escolas, nem com o recurso à precariedade, pelo que se exigia um contrato de trabalho permanente.

Assim como se exigia da parte do executivo maior planeamento, desde logo das necessidades das escolas e na tomada de medidas tendentes a debelar as faltas identificadas, que estão longe de vir a ser resolvidas apenas com o concurso a decorrer para contratação de 14 assistentes operacionais, com fim previsto apenas em Março do próximo ano.

O problema da falta de funcionários nas escolas não será cabalmente resolvido enquanto esta maioria não entender – porque não quer ou não é capaz - que a educação é uma função prioritária da gestão municipal e, como tal, deve ser alvo de uma política de investimento consistente e contínua.

Os trabalhadores não docentes não são necessidades temporárias nas escolas, fazem falta todos os dias para assegurar a vigilância, o conforto e a segurança dos alunos.

Votamos favoravelmente esta proposta porque a percebemos como uma medida de última hora, que apesar de não resolver as enormes carências sentidas pelas escolas do concelho, vai, pelo menos, impedir uma situação catastrófica.

O Grupo Municipal da CDU
Braga, 17 de Novembro de 2017