quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Intervenção da eleita Bárbara Barros na Assembleia Municipal de Braga a propósito da aquisição de 6 viaturas eléctricas para os TUB



Estamos finalmente a discutir a renovação da frota dos Transportes Urbanos de Braga. Ao contrário do que aconteceu durante o mandato anterior, a proposta que hoje vem a esta Assembleia abre a possibilidade de se adquirirem 6 viaturas novas para os TUB.

Abstemo-nos neste ponto, por se tratar de um acto de gestão da Câmara Municipal, em que meramente se definem as regras de aquisição de um eventual financiamento, embora não nos opunhamos de forma alguma, naturalmente, à aquisição destas viaturas e consequente renovação de uma frota claramente ultrapassada, opinião há muito consensualizada.


No entanto, não poderíamos deixar de reparar que a estratégia desta maioria para a TUB continua a ser a mesma, ou seja, a não existir. Se quando foram adquiridos os autocarros usados da STCP acusámos a Câmara de não apostar numa renovação efectiva da frota, por se ter tratado de um acto isolado no tempo e sem nenhuma estratégia que o acompanhasse (para além de se terem adquirido viaturas com 17 anos de utilização), o mesmo podemos dizer quanto à longevidade desta medida com que hoje nos deparamos.

Se bem percebemos quando confrontámos o Sr. Presidente da Câmara com as nossas dúvidas, esta aquisição prende-se em exclusivo com a oportunidade criada pelo Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR), ou seja, com o concurso a um fundo comunitário que reembolsará, em parte, o investimento que a TUB se prepara para fazer com a aprovação deste financiamento bancário.

Estamos de acordo, note-se, que a autarquia se adapte “aos desafios de transição para uma economia de baixo carbono numa utilização mais eficiente de recursos e na promoção de maior resiliência face aos riscos climáticos e catástrofes”, citando os objectivos do próprio programa do Portugal 2020.

Concordamos, também, que se deve procurar um “menor consumo de recursos naturais e energéticos”, voltando a citar o programa. No entanto, parece-nos curioso que, pela segunda vez que se adquirem viaturas para a TUB – usadas ou novas – esta maioria pareça ir atrás de estratégias que outros estabeleceram, estratégias de outras agendas, e não procurando criar as suas próprias prioridades, estabelecendo planos para as cumprir, partindo daí para as oportunidades de financiamento que pudessem acomodar as medidas que se entendessem necessárias. Parte-se, como se costuma dizer, do telhado na construção de uma casa.

Melhor dizendo, esta maioria aproveita os bons negócios com outras empresas para substituir viaturas que já não deviam circular em Braga ou fundos comunitários para renovar – finalmente – a sua frota de transportes urbanos; mas caso não voltem a abrir concursos que incluam a “promoção da eficiência energética nos Transportes Urbanos Públicos Colectivos de Passageiros Incumbidos de Missões de Serviço Público”, como estava previsto no Eixo I deste Programa Operacional, a TUB não continuará a renovar a sua frota com veículos eléctricos. Como vai, então, proceder?

Aliás, não existindo um projecto, ou um plano, ou uma estratégia para a renovação gradual a curto, médio e longo prazo da frota dos TUB, ficamos até sem saber se estas 6 viaturas eléctricas ficarão sozinhas na intenção, ou se e quando voltaremos a discutir a aquisição de viaturas para a TUB.

A renovação de frota da TUB não pode, por isso, estar refém de receitas extraordinárias, sob pena de a condenarmos a eternos adiamentos. As necessidades dos utentes dos transportes públicos são hoje e vão continuar amanhã, mesmo depois da chegada das 6 novas viaturas eléctricas. Não queremos na CDU, e por isso insistimos na elaboração de um plano estratégico, deixar uma vez mais os utentes da TUB sem resposta, algo a que estão, infelizmente, habituados.

O Grupo Municipal da CDU
Braga, 17 de Novembro de 2017