Perante a votação da desafectação do domínio público de dois terrenos com vista à sua alienação – uma parcela situada em Gualtar e outra em S. Víctor -, a CDU rejeitou ambos os pontos na reunião de Câmara de hoje de manhã, por entender que é necessário quebrar com as lógicas de urbanismo que não privilegiam o uso colectivo dos espaços públicos.
Em causa esteve a desafectação de uma área de 224,72 m2 no Lugar de Barros, em Gualtar (não muito longe do pavilhão polidesportivo da Universidade do Minho) e de outra de 330,5 m2 em S. Víctor (perto da residência universitária Lloyd e do parque da rodovia). O vereador da CDU, Carlos Almeida, alertou que “este é um modelo que só beneficia quem constrói”, aludindo ao facto de ambas as desafectações terem como objectivo a alienação das parcelas de terreno para construção de prédios.
“A lógica urbana de construir um prédio, uma zona de estacionamento e logo a seguir uma estrada é antiga e, como se pode constatar pelo desenho da cidade, e lesiva para a população que aqui reside”, referindo-se à falta de zonas verdes, de lazer e de usufruto público um pouco por toda a cidade.
Entendendo que estes espaços, “que tanta falta fazem à cidade e aos seus habitantes”, não têm que depender apenas de grandes empreendimentos concentrados numa ou noutra zona da cidade, o vereador comunista realçou que “por vezes bastará pequenas intervenções como, por exemplo, nestas duas parcelas de terrenos municipais, para proporcionar maior qualidade de vida aos habitantes do concelho, promovendo o encontro e o sentido de vizinhança que se perde entre construções massivas de prédios”.
A CDU, com a rejeição destas desafectações, propôs-se a “quebrar com esta lógica de urbanismo que tem marcado o crescimento da cidade de Braga nas últimas décadas”, chamando a atenção à maioria no executivo municipal que “estes pequenos actos de delapidação do espaço público, com o tempo, resultam sempre em cidades sem espaços de qualidade para os seus habitantes, sendo já tempo de contrariar este rumo e fazer melhores escolhas em Braga”.